sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

"L'autre prince"


E como eu desejo o ar
novos ventos, novos rumos
meu mar é tão grande
que os monstros não os agrade
talvez os agrida
como o perfume da margarida
que lembra a morte.



E como eu desejo o verso
a melodia e o dia
um escudo e um ser mudo
que me traga compaixão
em quem eu me encoste
e escute o seu coração



E como eu desejo o templo
com arpas e incenso
com pobres, com sangue, com vinho
com homens que entendam minhas rimas





E como eu desejo o espaço
a quântica, a vibração
o conhecimento, e o meu 'me dar bem'
com a minha própria solidão.

"Sarça ardente"


Ainda estou no meu deserto.

E se escrevo agora é porque não encontrei ainda o que procuro e me preocupo.

Sim, o cavaleiro errando, anda errando mais do que nunca. Mas sei que ninguém pode banhar duas vezes no mesmo rio. O mundo se voltou de uma forma tão infecciosa que temo pensar que se o vírus não me pegou, foi simplesmente pelo fato d'eu ter me escondido nos escombros.

Hoje de manhã, quando joguei sobre a minha mesa de 'estudos' a toalha do banho e conscientemente me lembrei de quando vivia no meu mundo intra-subjetivo. Como um sopro, ficar por horas debaixo da cama, fazer 'cabaninha' no sofá, ou ainda a gruta da casa antiga, eram meus refúgios de um 'não-sei-o-quê'.

O fato de ter crescido sozinho, não me fez ser menos que ninguém. Eu gostava. Eu aprendi e aprendo sempre mais a gostar do impossível. Daí que ficar embaixo da cama, conversando sozinho na gruta, ou esconder-me de mim mesmo, nunca foi uma atividade tão complicada assim.

Improvável para aqueles que em uma noite acreditam que perderam o chão, o meu mundo não os cabia.

Foi alí que descobri meus primeiros mitos, que escutei melhor o silêncio, que me transformei em terra, pano, chão. Outro lugar como esse só encontrei mais uma vez, quando ainda morava em Goiás, apilidamos um morro de pedras, cheios de galhos secos, como 'morro do urubu'. E como eram bons meus domingos, se ao cair da tarde a bicicleta me levasse até o caminho dos meus sonhos. "Antes eu sonhava, agora já não durmo..."

Meu espaço sagrado. Minha capela.

E isso tudo é tão urgente...


Enquanto o caos segue em frente com toda calma do mundo...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

"CARNADAVALES"

"Tristeza não tem fim, felicidade sim
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho,
pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira"

Não vou abusar de palavras pra escrever a minha indignação em ver o que todos vêem nos dias de carnaval. Nem mesmo apontar tamanhas barbáries que dilaceram a idéia que pudíamos ter de Brasil. A festa que é mundialmente conhecida, alcooliza nossos olhares, imobiliza nossas virtudes intelectuias, ao ponto de acreditarmos que tudo só começa depois que o carnaval termina.
Todo esse pensamento ilusório, colorido, rico em vestes, em alegorias... já não nos permite ver plenamento. Sim, a miséria, o desassossego, a imprudência, a ignorância, o preconceito...onde estão eles???
O carnaval, como se sabe, nasceu da festa em despedida da 'carne', pois a Igreja exigia que se abstessem de carne por toda a quaresma. E em grande parte de minhas recentes preocupações estou me perguntando..."O que é a carne?"
Os desejos da carne, podem ser insanos, baratos, vis.
Só espero aproveitar meu carnaval, no silêncio. Sair sim, dançar??sim...porque não?
Mas, nunca deixar de compreender que o mundo urge...

"é mais fácil desintegrar um átomo do que acabar com o preconceito"

Albert Einstein

"E nasce um paradigma..."

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto também participado, com entusiasmo, na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: " Não sei,mas as coisas sempre foram assim por aqui... "